

Clientes franceses e espanhóis, sociedade andorrana, IGI, estabelecimento estável, trabalhadores e convenções: estruture uma atividade transfronteiriça coerente.
Conteúdo verificado pela equipa jurídica e fiscal da ProGestió Andorra — Última atualização:
Criar uma empresa em Andorra pode ser pertinente para uma atividade virada para França e Espanha. A proximidade geográfica facilita as deslocações, mas aumenta também os riscos de confusão entre a sede jurídica, o local de trabalho e o país onde os lucros devem ser tributados.
Uma sociedade andorrana tem de ser realmente dirigida a partir do Principado. Pode vender a clientes franceses e espanhóis, empregar colaboradores, organizar prestações internacionais e celebrar parcerias. Não deve servir para deslocar artificialmente a faturação de uma atividade que continua a ser exercida noutro país.
| Tema | Questão |
|---|---|
| Direção | Onde são tomadas as decisões estratégicas? |
| Prestações | Em que país o trabalho é materialmente realizado? |
| Clientes | Empresas ou particulares, e em que território? |
| Equipa | Onde residem e trabalham os trabalhadores ou subcontratados? |
| Escritório | Existe um espaço ou uma presença estável fora de Andorra? |
| Impostos indiretos | IGI, IVA francês ou IVA espanhol? |
| Convenção | Como repartir o direito de tributar? |
| Residência do administrador | Onde se situam o seu domicílio e os seus interesses económicos? |
Esta análise determina a estrutura e os contratos.
Sim. Uma empresa andorrana pode ter uma clientela internacional.
A fatura tem, contudo, de respeitar:
Em muitos serviços B2B, a tributação indireta pode ser localizada junto do cliente com autoliquidação. Os serviços ligados a um imóvel, a um evento, a uma obra, ao transporte ou a consumidores seguem regras específicas.
Uma sociedade pode tornar-se tributável em França ou em Espanha quando aí dispõe de uma instalação fixa ou exerce uma atividade estável por intermédio de pessoas ou de meios.
Os sinais de risco compreendem:
A expressão «estabelecimento estável» não significa necessariamente que foi criada uma filial. Pode resultar dos factos.
A sociedade andorrana tem de poder demonstrar que as decisões essenciais são tomadas em Andorra.
Os elementos úteis compreendem:
Um administrador que passa a maior parte do seu tempo em França ou em Espanha e aí negoceia todos os contratos pode fragilizar a residência fiscal da sociedade.
Um trabalhador residente em França ou em Espanha ao serviço de uma empresa andorrana levanta questões de direito do trabalho, de segurança social, de retenção sobre o salário e de estabelecimento estável.
É preciso determinar:
O teletrabalho regular a partir de um país estrangeiro não deve ser tratado como uma simples deslocação pontual.
Uma atividade com França tem nomeadamente de integrar:
Uma sociedade francesa mantida no grupo pode continuar a sua atividade local, enquanto a sociedade andorrana exerce funções distintas e documentadas.
A Espanha examina a presença, a atividade e o centro dos interesses económicos. A proximidade da Catalunha facilita as deslocações mas torna indispensável uma separação clara.
Há nomeadamente que controlar:
Uma empresa que vende mercadorias tem de organizar:
Andorra dispõe de uma união aduaneira com a União Europeia para os produtos industriais, mas não faz parte do território de IVA da União. Os dois temas não devem ser confundidos.
Quando o grupo compreende uma empresa francesa, espanhola e andorrana, os fluxos têm de refletir as funções reais.
Exemplos:
Os preços de transferência têm de ser coerentes com as funções, ativos e riscos. Uma margem não pode ser deslocada por uma fatura sem serviço real.
Um consultor reside em Andorra e aí dirige uma sociedade de consultoria. Trabalha a partir dos seus escritórios andorranos para clientes europeus. As missões em França e em Espanha são pontuais e documentadas. Não existe qualquer trabalhador nem escritório permanente nesses países.
Esta configuração pode ser coerente, sob reserva das regras próprias das prestações e da convenção.
Inversamente, se a equipa, os contratos, o domicílio familiar e a execução permanecerem em Barcelona, o registo andorrano não basta para deslocar a atividade.
Uma sociedade andorrana pode ter 100 % de clientes franceses? Sim, mas a dependência, o local de realização e o estabelecimento estável têm de ser examinados.
É possível contratar um trabalhador que vive em Espanha? É possível em certas configurações, com uma análise do direito do trabalho, da segurança social e das obrigações locais.
O IGI substitui o IVA francês ou espanhol? Não. Cada operação tem de ser localizada e pode ficar sujeita ao IGI, a um IVA estrangeiro ou a autoliquidação.
É preciso criar três sociedades? Não necessariamente. O número de entidades tem de corresponder às funções e implantações reais.
Para ir mais longe: Constituição de empresa, IGI, Fiscalidade, Comparativo França, Comparativo Espanha.
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